terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Cicatrizes de uma vida

    Deitada em seu dormitório olhando para o teto branco, ela sabia que não precisava ficar mais ali. Seu tempo de sair já havia passado faz meia hora e ela poderia voltar para o refeitório sendo acompanhada pelos paramédicos. Em seu rosto havia marcas, cicatrizes para ser mais exata, como nas bonecas de pano. Mas havia uma em especial, uma que começava na ponta de sua boca e terminava até a metade das suas bochechas. Um sorriso. O sorriso sádico atraiam os olhos curiosos de quem se aproximava dela  perguntam como ela conseguiu aquilo em seu rosto e para cada pessoa ela dava uma resposta. " Em uma tarde bem ensolarada, eu estava passeando com o meu namorado em um dos parques até que um homem coberto por um capuz veio nos assaltar. Ele estava com uma faca e pedia tudo de valor que tínhamos. Apavorada dizia que não tinha nada e ele tampouco tinha... Mas sabe o que ele fez logo depois? Ele perguntou por que eu estava tão séria, por que em uma tarde tão linda como aquela eu não estava sorrindo. Ele aproximou o canivete do meu rosto e perguntou mais uma vez por que estava tão séria enquanto rasgava minha face de orelha a orelha, fazendo este sorriso. E sabe o que meu namorado covarde fez? Ele não suportou minha aparência e fugiu dos meus braços." Suspirou pesadamente enquanto trincava os dentes. " Meu padrasto chegou bêbado em casa e queria vender toda a mobília para fazer suas imundas apostas. Eu não deixei, claro. Mas ai ele pegou uma faca na cozinha e se aproximou de mim falando que eu era uma imprestável e que eu e minha mãe não passava de uma vagabunda querendo se aproveitar dele. Ele perguntou por que estava tão séria. Colocou este sorriso em meu rosto dizendo que eu era para estar feliz por ter um homem como ele em minha vida."
Insana, com os ouvidos atentos, virou seu rosto assim que escutou passos se aproximarem. Sentiu dedos enrugados tocar em sua pele apertando sua bochecha, fazendo-a abrir a boca e despejar um líquido amargo. – Engula, e é melhor eu não saber que você cuspiu novamente seus remédios. – Ela não o olhou, apenas fingiu engolir arrancando um sorriso vitorioso da paramédica que deu meia volta e quando escutou a porta bater cuspiu todo o líquido para fora de sua boca. Ela não precisava disto. Ela era louca. Ela era insana. Aliás, se ela não fosse louca ela não seria ninguém. Afinal, todos são apenas loucos.

"Eu não faço planos, sou apenas um agente do caos. E você sabe qual é a principal ferramenta pra se trazer o caos? Medo! - Coringa"
                                                                                                                                              Feliz dia do palhaço.

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